Apresento neste mês o caso de uma paciente de 79 anos que procurou atendimento com queixa de dor lombar intensa associada à irradiação para a perna direita, com piora progressiva ao longo dos últimos seis meses.
O Passado: Técnica Convencional
Como antecedente importante, a paciente havia sido submetida a uma cirurgia para retirada de hérnia de disco lombar há cerca de 10 anos. Na época, o procedimento foi realizado por técnica convencional aberta, com boa evolução clínica e resolução completa dos sintomas.
Durante uma década permaneceu sem queixas relevantes, mantendo suas atividades habituais.
Novas Dores Surgiram
Nos meses que antecederam a consulta atual, iniciou um novo quadro de dor lombar associado a irradiação para o membro inferior direito, com características de compressão radicular, evoluindo progressivamente com limitação para caminhar, dificuldade para realizar atividades diárias e piora importante da qualidade de vida.
Foi então solicitada uma nova ressonância magnética da coluna lombar, que evidenciou uma nova hérnia de disco lombar, localizada no nível imediatamente abaixo do segmento operado anteriormente.

Cicatriz da cirurgia lombar realizada há aproximadamente 10 anos, utilizando técnica convencional aberta.
OpçãoInicial: Tratamento Conservador
Devido à idade avançada da paciente e à presença de diversas comorbidades clínicas — incluindo hipertensão arterial, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e histórico recente de infarto — a primeira opção terapêutica foi pela tentativa de tratamento conservador.
Foram realizados diferentes métodos de tratamento não cirúrgico, incluindo uso de diversas medicações analgésicas, fisioterapia especializada, sessões de acupuntura, entre outros.
Apesar de todas as medidas instituídas, a paciente não apresentou melhora significativa dos sintomas. Pelo contrário, houve piora progressiva da dor e aumento da limitação funcional, dificultando inclusive atividades básicas do dia a dia.
Diante desse cenário, após discussão detalhada com a paciente e seus familiares, optou-se pela realização de tratamento cirúrgico para descompressão dos nervos comprimidos.
A Escolha Pela Cirurgia Minimamente Invasiva
Considerando as condições clínicas da paciente, optou-se pela realização da retirada da hérnia discal por técnica endoscópica minimamente invasiva, também conhecida como cirurgia da coluna por vídeo.
Essa técnica permite acessar a hérnia de disco através de uma pequena incisão na pele, utilizando um sistema de câmera de alta definição e instrumentos delicados, possibilitando a retirada do fragmento discal que está comprimindo o nervo.
Entre as principais vantagens desse tipo de procedimento estão:
- menor agressão aos músculos da coluna
- menor sangramento durante a cirurgia
- menor dor no pós-operatório
- recuperação mais rápida
- possibilidade de alta hospitalar precoce
Essas características tornam a técnica especialmente interessante em pacientes idosos ou com múltiplas comorbidades, como neste caso.

Imagem de raio-X intraoperatório utilizada para localização precisa do nível da hérnia discal durante a cirurgia minimamente invasiva.
O Procedimento Cirúrgico
A cirurgia foi realizada com duração aproximada de 1 hora. Durante o procedimento foi possível identificar o nervo comprimido pela hérnia discal e realizar sua descompressão completa através da retirada do fragmento discal.
Logo após a descompressão foi possível observar melhora imediata da condução do nervo para o membro inferior.
Imagem intraoperatória mostrando o nervo já completamente descomprimido após a retirada da hérnia de disco.
Recuperação Pós-Operatória
A evolução pós-operatória foi extremamente satisfatória. A paciente apresentou melhora significativa da dor já nas primeiras horas após o procedimento, conseguindo levantar e caminhar no mesmo dia da cirurgia.
Devido à recuperação rápida e à baixa agressividade do procedimento, recebeu alta hospitalar no mesmo dia, caminhando e com importante melhora dos sintomas.
Ao longo das semanas seguintes apresentou evolução progressiva, com redução completa da dor irradiada para a perna.
Após o período inicial de recuperação, retornou ao consultório sem queixas de dor, sem necessidade de medicações analgésicas e retomando suas atividades diárias sem limitações.
Cirurgia Aberta x Cirurgia Minimamente Invasiva
Este caso ilustra de forma bastante clara a evolução das técnicas cirúrgicas da coluna ao longo dos últimos anos.
Enquanto a cirurgia realizada anteriormente exigia uma incisão maior e maior dissecção muscular, as técnicas minimamente invasivas atuais permitem tratar o mesmo problema através de incisões muito menores e com menor agressão aos tecidos.
Isso se traduz em benefícios importantes para o paciente, como:
- menor dor no pós-operatório
- recuperação mais rápida
- menor tempo de internação
- retorno mais precoce às atividades do dia a dia
Em pacientes idosos ou com múltiplas comorbidades, essas vantagens tornam-se ainda mais relevantes, permitindo realizar procedimentos com maior segurança e menor impacto para o organismo.

Comparação entre a cicatriz da cirurgia convencional realizada há 10 anos e a pequena incisão utilizada na cirurgia minimamente invasiva atual.
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Todas as informações acima foram devidamente autorizadas pela paciente.
Se você está sofrendo com dores ou lesões saiba que existem opções de tratamento eficazes disponíveis e um profissional de saúde pode ajudar a encontrar a melhor solução.
